sábado, 15 de outubro de 2011

Pregação ao Alcance de Todos

a retórica?
Pregação ao Alcance de Todos

Poatagem. Pr Josevan Cruz
Hans Ulrich Reifler

PREFÁCIO DO AUTOR

Este manual didático foi elaborado a pedido do Seminário Cristão Evangélico do Norte para os professores, alunos e obreiros que se dedicam à propagação eficiente da palavra salvadora de Jesus Cristo à nossa geração.
Dividimos a matéria em três seções principais:
homilética fundamental
homilética material
homilética formal.
Na homilética fundamental, referimo-nos ao conceito de homilética, ou seja, abordamos questões introdutórias, tais como: origem, significado, tarefa, desenvolvimento histórico, problemas, características, conteúdo e importância da homilética evangélica. O segundo capítulo trata da homilética material, relativa ao material básico para se fazer homilética. O aluno aprende a lidar com as versões em português da Bíblia, incluindo a Bíblia Vida Nova, chaves bíblicas, concordâncias, dicionários, léxicos, comentários, harmonias e panoramas bíblicos. Exemplos práticos e exercícios ajudam o aluno a utilizar o material auxiliar disponível na preparação de mensagens baseadas na Palavra de Deus. O último capítulo refere-se à homilética formal, que analisa a estrutura, a apresentação e as formas alternativas da pregação bíblica. Seguem exemplos e exercícios. Uma bibliografia selecionada conscientiza o estudante a dar prioridade às obras básicas na compra de material evangélico acerca de homilética. O desejo ardente e a oração contínua do autor são no sentido de que o estudante da Palavra de Deus prepare suas mensagens com dedicação, sinceridade e fidelidade, sob a orientação indispensável do Espírito Santo e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo (2 Co 10.5), para que o evangelho eterno de Jesus Cristo seja pregado, ouvido, entendido e obedecido em nossos dias. "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê..." (Rm 1.16)

Hans Ulrich Reifler

ABREVIATURAS

Encontram-se aqui as abreviaturas remissivas e teológicas com as quais o estudante deve se familiarizar.

Abreviaturas remissivas

a. C.    antes de Cristo (colocado após o número)
A. D.   Anum Dominum (no ano do Senhor; depois de Cristo)
c.   circa (cerca de, mais ou menos em)
cap.     capítulo
caps.    capítulos
cf. confer (compare, confira)
ed. editor
e. g.     exempli gratia (por exemplo)
i. e.      id est (isto é)
op. cit. opus citatum (obra citada)
s.    seguinte
ss.  seguintes
v.   versículo
vv. versículos
viz.      videlicet (a saber)
vol.      volume
vols.    Volumes

Abreviaturas teológicas

BLH    A Bíblia na Linguagem de Hoje
BVN   Bíblia Vida Nova
NDITNT         Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento
EIBB  Edição Imprensa Bíblica Brasileira
ENT    Exposição do Novo Testamento
ARA   Edição Almeida Revista e Atualizada
ARC   Edição Almeida Revista e Corrigida
GeD    F. W. Gingrich e F. W. Danker, Léxico do N. Testamento Grego-Português
LRS    Lições de Retórica Sagrada
MDC   Manual do Culto
NCB   O Novo Comentário da Bíblia
NDB   O Novo Dicionário da Bíblia
NTI     O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo
PB A Pregação Bíblica
PEB    Pequena Enciclopédia Bíblica
PES     O Preparo e Entrega de Sermões
PMS    P. Moreira da Silva, Homilética - A arte de pregar o evangelho

Bibliografia Básica

Para que o aluno esteja em condições de analisar sozinho um termo, estruturar um esboço e familiarizar-se com o texto, fazendo assim uma exegese bíblica, é indispensável que tenha suas próprias ferramentas.
O autor deste manual sugere que o aluno adquira o mais breve possível os seguintes livros, que estão colocados em ordem de prioridade a fim de possibilitar uma compra consciente:
1. Chave Bíblica, Edição Revista e Atualizada, Brasília, S. Bíblica do Brasil, 1970.
2. R. Shedd, ed., A Bíblia Vida Nova, São Paulo, Edições Vida Nova, 1976.
3. F. Davidson, ed., O Novo Comentário da Bíblia, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1963.
4. J. D. Douglas, ed., O Novo Dicionário da Bíblia, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1966.
5. S. L. Watson e W. E. Allen, Harmonia dos Evangelhos, Rio de Janeiro, JUERP, 1979.
6. W. L. Liefeld, Exposição do Novo Testamento, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1985.
7. W. Robinson, A Pregação Bíblica, São Paulo, Edições Vida Nova, 1983.
8. J. Braga, Como Preparar Mensagens Bíblicas, São Paulo, Editora Vida, 1987.

1-  A Homilética Fundamental
A homilética fundamental trata das questões introdutórias da matéria, visando uma compreensão objetiva de seus aspectos, tais como: origem, significado, tarefa, desenvolvimento histórico, problemas, características, conteúdo, importância e alvo da prédica evangélica.
ORIGEM, SIGNIFICADO E TAREFA DA HOMILÉTICA
O termo (homilética) deriva do substantivo grego "homilia", que significa literalmente "associação", "companhia", e do verbo homileo, que significa "falar", "conversar". O Novo Testamento emprega o substantivo homilia em 1 Coríntios 15.33 ... as más conversações corrompem os bons costumes.
O termo "homilética" surgiu durante o Iluminismo, entre os séculos XVII e XVIII, quando as principais disciplinas teológicas receberam nomes gregos, como, por exemplo, dogmática, apologética e hermenêutica.
Na Alemanha, Stier propôs o nome Keríctica, derivado de keryx, que significa "arauto". Sikel sugeriu haliêutica, derivado de halieos, que significa "pescador".
O termo "homilética" firmou-se e foi mundialmente aceito para referir-se à disciplina teológica que estuda a ciência, a arte e a técnica de analisar, estruturar e entregar a mensagem do evangelho.
"A homilética é ciência, quando considerada sob o ponto de vista de seus fundamentos teóricos (históricos, psicológicos e sociais); é arte, quando considerada em seus aspectos estéticos (a beleza do conteúdo e da forma); e é técnica, quando considerada pelo modo específico de sua execução ou ensino."
O termo "homilética" tem suas raízes etimológicas em 3 palavras da cultura grega:
1. Homilos, que significa "multidão", "turma", "assembléia do povo" (cf. At 18.17);
2. Homilia, que significa "associação", "companhia" (cf. 1 Co 15.33); e
3. Homileo, que significa "falar)", "conversar" (cf. Lc 24.14s.; At 20.11,24.26).
A RELAÇÃO ENTRE A HOMILÉTICA E OUTRAS DISCIPLINAS
Como disciplina teológica, a homilética pertence à teologia prática. As disciplinas que mais se aproximam da homilética são a hermenêutica e a exegese.
Enquanto a hermenêutica é a ciência, arte e técnica de interpretar corretamente a Palavra de Deus, e a exegese a ciência, arte e técnica de expor as idéias bíblicas, a homilética é a ciência, arte e técnica de comunicar o evangelho. A hermenêutica interpreta um texto bíblico à luz de seu contexto; a exegese expõe um texto bíblico à luz da teologia bíblica; e a homilética comunica um texto bíblico à luz da pregação bíblica.
A homilética depende amplamente da hermenêutica e da exegese. Homilética sem hermenêutica bíblica é trombeta de som incerto (1 Co 14.8) e homilética sem exegese bíblica é a mera comunicação de uma mensagem humanista e morta.
A homilética deve valer-se dos recursos da retórica (assim como da eloqüência), utilizar os meios e métodos da comunicação moderna e aplicar a avançada estilística. Não se pode ignorar o perigo de substituir a pregação do evangelho pelas disciplinas seculares e de adaptar a pregação do evangelho às demandas do secularismo. A relação entre a homilética e as ciências modernas é de caráter secundário e horizontal; pois as Escrituras Sagradas são a fonte primária, a revelação vertical, o fundamento básico de toda a homilética evangélica.
Por isso, o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: (Eu, irmãos, quando fui ter con- vosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e sim, no poder de Deus)
(1 Co 2.1-5).

O DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA HOMILÉTICA

O modelo predominante no período profético era a palavra vinda diretamente do Senhor ("assim diz o Senhor") que os profetas anunciavam e ilustravam em sua próprias vidas: uma prostituta como esposa (Oséias); nomes dos filhos (Is 7.3, 8.3); cinto (Jr 13.1-11); o vaso do oleiro (Jr 18.1-17); a botija quebrada (Jr 19.1-15); a morte da mulher de Ezequiel (Ez 24.15-27). Após o exílio, desenvolveu-se a homilia primitiva, em que passagens das Escrituras Sagradas eram lidas em público ou nas sinagogas (Ne 8.1-18).
Por volta de 500-300 a. C., os gregos Córax, Sócrates, Platão e Aristóteles desenvolveram a retórica, aperfeiçoada pelos romanos na forma da oratória (principalmente Cícero, em cerca de 106-43 a. C.). Jesus, no entanto, pregou o evangelho do reino de Deus com simplicidade, utilizando principalmente parábolas (Mt 13.34s.; Mc 4.10-12, 33, 34) e aplicando textos do Antigo Testamento à Sua própria vida (Lc 4.16-22). Uma análise do livro de Atos revela cinco elementos básicos comuns às mensagens apostólicas: o Messias prometido no Antigo Testamento; a morte expiatória de Jesus Cristo; Sua ressurreição pelo poder do Espírito Santo; a gloriosa volta de Cristo; e o apelo ao ouvinte para que se arrependesse e cresse no evangelho.
A maioria dos cristãos antigos, portanto, seguiu o exemplo da sinagoga, lendo e explicando de modo simples e popular as Escrituras do Antigo Testamento e do Novo. Não se percebe muito esforço em estruturar um esboço homilético ou um tema organizador. A homilia cristã apenas (segue a ordem natural do texto da Escritura e visa meramente ressaltar, mediante a elaboração e aplicação, as sucessivas partes da passagem como esta se apresenta). C. W. Koller, Pregação Expositiva sem Anotações (São Paulo: Mundo Cristão, 1984), p. 21.
As primeiras teorias homiléticas encontram-se nos escritos de Crisóstomo (345-407 A. D.), o mais famoso pregador da igreja primitiva. A primeira homilética foi escrita por Agostinho, em De Doctrina Christiana. Agostinho dividiu-a em de inveniende (como chegar ao assunto) e de proferendo (como explicar o assunto). Na prática, esta divisão sistemática corresponde hoje às homiléticas material e formal.
A Idade Média não foi além de Agostinho, mas produziu coletâneas famosas de sermões, atualmente publicadas em forma de livros devocionais. (A homilética era quase a única forma de oratória conhecida.) O maior pregador latino da Idade Média foi Bernardo de Claraval (1090-1153). Graças a Carlos Magno (768-814), a pregação era feita na língua do povo e não exclusivamente em latim.
A grande inovação da Reforma Protestante foi tornar a Bíblia o centro da pregação. Os discursos éticos e litúrgicos foram substituídos pela pregação evangélica das grandes verdades bíblicas, versículo por versículo. Martinho Lutero e João Calvino expuseram quase todos os livros da Bíblia em forma de comentários que, ainda hoje, possuem vasta aceitação acadêmica e espiritual. Os líderes da Reforma Protestante deram à pregação um novo conteúdo (a graça divina em Jesus Cristo), um novo fundamento (a Bíblia Sagrada) e um novo alvo - a fé viva.
Enquanto Lutero enfatizava o conteúdo da pregação do evangelho (a justificação pela fé), Melanchthon ressaltava o método e a forma da pregação. Como humanista convertido, Melanchthon escreveu, em 1519, a primeira retórica evangélica, seguida de duas publicações homiléticas, em 1528 e 1535, respectivamente. Melanchthon sugeriu enfatizar a unidade, um centro organizador, um pensamento principal (loci) para o texto a ser pregado. A pregação evangélica deveria incluir: introdução, tema, disposição, exposição do texto e conclusão.
OS PROBLEMAS DA HOMILÉTICA
A palavra de Deus afirma que "a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo" (Rm 10.17). Como é possível, então, que surjam dificuldades quando esta palavra é proclamada?
O problema não está na palavra em si, porque " a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração" (Hb 4.12).
O problema não está na Palavra de Deus, mas em sua proclamação, quando feita por pregadores que não admitem suas imperfeições homiléticas pessoais! Atualmente, as dificuldades mais comuns da pregação bíblica encontram-se nas seguintes áreas:
1º)  Falta de preparo adequado do pregador. Na maioria das vezes, a pregação pobre tem sua raiz na falta de estudo do orador. Muitos julgam ter condições de preparar uma mensagem bíblica em menos de seis horas, sem o árduo trabalho exegético e estilístico. Pensam que basta ter um esboço de três ou quatro pontos para edificar a igreja, ou acham suficiente manipular As Quatro Leis Espirituais para levar um indivíduo perdido à obediência a Cristo.
2º) Falta de unidade corporal na prédica. Os ouvintes do sermão dominical perdem o interesse pelo recado do pastor quando este apresenta uma mensagem que consiste numa mera junção de versículos bíblicos, às vezes até desconexos, pulando de um livro para outro, sem unidade interior, sem um tema organizador. A falta de unidade corporal na prédica leva o ouvinte a depreciar até a mais correta exposição da Palavra de Deus.
3º) Falta de vivência real do pregador na fé cristã. O pior que pode acontecer ao pregador do evangelho é proclamar as verdades libertadoras de Cristo e, ao mesmo tempo, levar uma vida arraigada no pecado e em total desobediência aos princípios da Palavra de Deus. Por isso, Paulo escreveu: "... esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" (1 Co 9.27).
4º) Em outras ocasiões, o pregador talvez esteja vivendo em santificação, mas, ainda assim, quando suas mensagens são apresentadas de forma muito teórica, empregando termos técnicos, latinos e gregos que o povo comum não entende, elas se tornam enfadonhas. No fim do culto, o rebanho admite que seu pastor falou bem e bonito, mas se queixará de não ter entendido nada.
5º) Falta de aplicação prática às necessidades existentes na igreja. Muitas mensagens são boas em si mesmas, mas se tornam pobres na prática, na edificação do povo de Deus. Constituem verdadeiros castelos doutrinários, mas não mostram como colocar em prática, de maneira viável, o ensino da Palavra de Deus, negligenciando, por exemplo, oferecer ajuda concreta a uma senhora que, após 35 anos de vida conjugal feliz, perdeu o esposo num acidente de trânsito, na semana anterior.
6º)  Falta de equilíbrio na seleção dos textos bíblicos. A maior parte das Escrituras foi praticamente abandonada na pregação eficiente do evangelho. Mais de 95% dos sermões evangélicos pregados no Brasil baseiam-se no Novo Testamento e, em geral, limitam-se a textos evangelísticos, tais como: Lc 19.1-10; Jo 1.12; 3.16; 14.6; Rm 8.28; 2 Co 5.15-21 etc.
7º) Prega-se a verdade, mas não toda a verdade! O alvo do apóstolo Paulo era pregar "o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo" (Ef 3.8).
É bom lembrar que os apóstolos, e com eles a primeira geração da igreja primitiva, utilizavam quase sempre o Antigo Testamento. Eles baseavam suas mensagens naqueles 39 livros, que constituem mais de dois terços de nossa Bíblia atual.
8º) Falta de prioridade da mensagem na liturgia. O culto teve início pontualmente às 19h30, com um belo programa musical seguido de muitos testemunhos empolgantes, várias orações e diversos avisos. Finalmente, às 21h30, quando toda a congregação já estava cansada, o dirigente anunciou: (Vamos agora para a parte mais importante de nosso culto. Com a palavra, nosso pastor, que vai pregar o santo evangelho). O pastor, então, fica constrangido de pregar 40 minutos, pois sabe que ninguém irá agüentar.
A característica principal de um culto evangélico é a pregação da palavra de Deus.
Números especiais bem ensaiados, testemunhos autênticos, avisos, tudo isso é útil e necessário, desde que em seu devido lugar. Devemos zelar para que nossos cultos não se tornem festivais de música popular ou reuniões para avisos, mas, sim, encontros com Deus em Sua palavra! Lutero era muito enfático em afirmar que, onde se prega a palavra de Deus e são ministrados o batismo e a ceia, é ali que se encontra a verdadeira igreja.
9º) Falta de um bom planejamento ministerial. "O pregador eficiente tem de planejar sua pregação com antecipação. Muitos pastores falam sem nenhum plano ou propósito. Eles simplesmente decidem, a cada semana, quais os tópicos para os sermões do domingo seguinte. Algumas vezes, a decisão é feita na sexta-feira ou no sábado. A pregação sem um plano de longo alcance produz diversos resultados negativos:
1. O pregador é colocado sob tensão e ansiedade desnecessárias;
2. Muitos pastores simplesmente pregam os mesmos sermões, domingo após domingo. Eles escolhem um texto novo, mas, no fim, o conteúdo acaba sendo idêntico ao daquele outro velho sermão;
3. Outras vezes, o pregador tem uma idéia boa para um sermão, mas não dá tempo para que ela se desenvolva; e
4. Aqueles que não planejam sua pregação, geralmente cedem à tentação do plágio." P. H. Kelley, Mensagem do Antigo Testamento Para os Nossos Dias (Rio de Janeiro: JUERP, 1980), pp. 10-11.  O bom pregador deve fazer um planejamento anual, incluindo mensagens para os dias especiais (Natal, Páscoa, aniversário da igreja etc.). Dessa forma, ele alimentará a seu rebanho com uma dieta sadia e balanceada.
10º) Outros motivos que resultam em problemas para a homilética. Além das dificulda-des já mencionadas, devemos lembrar que a pregação vem sendo desvalorizada pela secularização que atinge nossas igrejas. Muitas famílias preferem assistir ao "Fantástico", em vez de ouvir uma mensagem simplesmente exortativa e moralista.
11º) Há também a questão da grande diversidade de igrejas e pregadores evangélicos, o que facilita à família recém-chegada optar entre o pregador eloqüente e popular e a igreja com status. Além disso, o estresse do dia-a-dia faz com que, mesmo no domingo, não haja mais o sossego necessário para reflexões espirituais profundas.
AS CARACTERÍSTICAS DA HOMILÉTICA
O QUE É PREGAÇÃO ?: Charles W. Koller apresenta o conceito bíblico de pregação como (aquele processo único pelo qual Deus, mediante Seu mensageiro escolhido, Se introduz na família humana e coloca pessoas perante Si, face a face). C. W. Koller, op. cit., p. 9.
Em sua tese, Koller refere-se ao mensageiro (vocação, caráter, função) e à mensagem (conteúdo, poder, objetivo). Na realidade, porém, as características da homilética evangélica não devem restringir-se somente aos pólos mensageiro - mensagem. Três elementos, no mínimo, participam da prédica: o pregador, o(s) ouvinte(s) e Deus. Podemos representá-los por meio de um triângulo, cujos vértices simbolizam o autor, o comunicador e o receptor:
                                      DEUS
PREGADOR        
                                                                OUVINTE/COMUNIDADE
Neste triângulo, o pregador dirige-se a Deus, na preparação e na proclamação da mensagem, e ao ouvinte, sua comunidade evangélica.
O ouvinte recebe a mensagem da Palavra de Deus através da comunicação pelo pregador ou por sua própria leitura.
Deus, por Sua vez, é autor, inspirador e ouvinte da Sua Palavra. Entretanto, é bom lembrar que o triângulo só se completa com um núcleo: este âmago é a palavra do Cristo crucificado (1 Co 2.2). O triângulo, então, deve ser aperfeiçoado da seguinte forma:                                                                                                                                                             DEUS                                                         
                       PREGADOR
                                                                                                                          OUVINTE/COMUNIDADE
Para os evangélicos, Cristo é o centro da Bíblia. Lutero ensinou enfaticamente: (A Escritura deve ser entendida a favor de Cristo, não contra Ele; sim, se não se refe-re a Ele não é verdadeira Escritura ... Tire-se Cristo da Bíblia, e que mais se encontrará nela?) B. Hagglund, História da Teologia (P. Alegre: Concórdia, 1981), p. 187.

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